Nesse dia branco

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sinceramente imoral

Monday, November 27, 2006

Soneto

Por que me descobriste no abandono
Com que tortura me arrancaste um beijo
Por que me incendiaste de desejo
Quando eu estava bem, morta de sono
Com que mentira abriste meu segredo
De que romance antigo me roubaste
Com que raio de luz me iluminaste
Quando eu estava bem, morta de medo
Por que não me deixaste adormecida
E me indicaste o mar, com que navio
E me deixaste só, com que saída
Por que desceste ao meu porão sombrio
Com que direito me ensinaste a vida
Quando eu estava bem, morta de frio

- Francisco Buarque de Hollanda

Tuesday, November 21, 2006

Chove Chuva

Olho pela janela a chuva caindo no telhado das casas vizinhas, no pensamento uma sensação de vazio de estar muito distante de tudo, na vitrola um velho disco de Chet Baker acompanha o meu tédio e a minha angustia... Sinto que necessito de alguma coisa mas não sei o quê, talvez um belo filme de Woody Allen pra me distrair e ficar pensando como seria se estivesse no lugar de um daqueles personagens, naquelas geniais histórias cheias de drama e paixão, ou talvez um amor de verdade que me fizesse companhia nas horas de solidão.
Uma paixão fulminante, daquelas de não querer sair do lado da pessoa amada, de querer estar perto dela o tempo todo, de ir ao cinema, teatro, a todo lugar, apresentar para o amigo e falar que ela é o que você sempre precisou.


(Antonio Oliveira Cruz - 19 anos)

- Com os devidos cortes.

Saturday, November 04, 2006

A menina que virou som

Você era tão doce
que se desfez e virou música.
Se desfez na água da chuva rala
Que por mais rala que fosse, não cansava.
Tão bonita que virou música
numa chuva que não molhava.

Minha boca não aguentou: se encheu de lágrimas.
Ficou louca, virou música!
E se desfez no ar
sem nem sequer saber voar.

Mas sumiu
e tão sonora como ela,
ninguém nunca mais sentiu.

Girava tudo, silêncio: barulho mudo.
Depois parou.
Cadê menina?
Cadê menina?
Agora é música, virou-se em som.
Virou querer
nem dá pra ver!
então
SINTA.

Sinta que ela é menina e só.
Que se partiu
pra virar som.
E se partiu
não volta mais.
Menina só.
Seu sonho era se dobrar em flor
mas quis bem o destino
que ela se mudasse em som.
E ela se mudou.
E ninguém nunca mais
pode tocar na pobre menina.
Mas se quisesse, e tentasse muito
poderia tocar
A Pobre Menina.
Pobre menina, não poderia ouvir.

Não leia

Joãozinho completa 9 anos e seu pai lhe pergunta:
- Meu filho, você sabe como nascem os bebês?
O menino assustado, responde:
- Não quero saber! Por favor, pai, prometa que não vai me contar.
O pai, confuso, não se conforma, e pergunta:
- Mas por que você não quer saber, Joãozinho?
E o menino, soluçando, responde:
- Aos 6 anos me contaram que não existe coelho da Páscoa; Aos 7 descobri que não existem fadas-madrinhas, nem sereias, nem o Saci Pererê; Aos 8 entendi que o Papai Noel é você. Se agora eu descobrir que os adultos não transam, não vejo mais razão para continuar vivendo!

O céo logo escurece quando vai chover